quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Parte III - A mensagem
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Parte II - A mensagem
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Parte I - A mensagem
O ressoar de sinos reverberaram no alto de uma torre, o amanhecer percorria vagarosamente as costas de uma linda montanha e o sol curioso já espreitava por ali. Em alguma das planícies repletas de altos e baixos do Vale da Aurora, com suas extensas plantações e pastos repletos de carneiros, o cheiro da comida das panelas de barro que saía das chaminés das casas esparsas era sentido de longe. Um galope ligeiro percorreu com seu condutor o caminho através de uma praça onde belas moças coletavam água de um poço não muito profundo, até uma magnífica casa de madeira no alto de uma colina, situada ao norte. O jovem desceu do cavalo e bateu na porta duas vezes, ele carregava consigo uma bolsa de couro marrom clara que atraia a atenção das crianças na varanda, mas sua atenção permanecia na porta e em seguida para a simpática dona que o convidou para entrar. Agradeceu o convite, entrou e foi guiado além de uma sala confortável para dentro de uma biblioteca onde um senhor de barbas brancas estava sentado numa poltrona, prontamente retirou uma carta de dentro da bolsa. Até aquele momento o senhor repousava seus olhos num livro de capa dura, erguida numa de suas mãos, e com a outra levava o cachimbo de cabo curto até a boca, porém teve sua leitura interrompida, então deixou o livro sobre a mesa e recebeu o papiro em suas mãos ainda com o olhar calmo e concentrado. Depois de entregue, o mensageiro moveu-se à cozinha para comer de uma broa e beber algo quente, acompanhado pela anfitriã, enquanto a biblioteca se enchia novamente de um silêncio apaziguador, contudo a expressão serena do senhor foi se dissipando a cada frase lida da mensagem.
sábado, 22 de novembro de 2008
Esmeralda
A noite estava estrelada. Chuva alguma era esperada. O frio rodeava um pequeno grupo de ciganos que se aqueciam perto de uma grande fogueira. Suas carroças e cavalos descansavam perto daquele circulo de festa que circundava a fogueira. Quem disse que a roda de madeira da carroça não descansa? Como diria o experiente viajante: a roda descansa de atazanar nossos ouvidos com seu reclame.
Um jovem rapaz desconhecia aqueles cantos. Jamais se desviou de uma trilha para acampar ao relento. Situação que não lhe agradaria em sua imaginação assoberbada de pensamentos urbanos. Que conforto poderia trazer uma noite longe de penachos de ganso bem armazenados dentro de um saco costurado e bem limpinho, pensou ele.
Mas, mesmo a vida de um cauteloso, era incerta. Ele foi tragado pelo acaso. Quem diria que lobos poderiam rodear aquela estrada? A manobra que seu cavalo usou para tentar encarar tais lobos o fez cair diante da matilha. Se não fosse uma habilidosa cigana com seu graveto em chamas, ele estaria entre os caninos dos lupinos. Tocha? Não. Foi realmente um graveto improvisado pra salvar a vida do viajante. Sentiu-se completamente indefeso. Era uma jovem que o salvara. Podia ver a luz das estrelas bruxuleando a silhueta de um corpo feminino. Sentiu-se envergonhado. Tinha a visão que as mulheres eram frágeis. Ser salvo por uma não ajudaria sua auto-estima.
Logo seus pensamentos lhe fugiram quando a jovem se aproximou dele. Ela se encurvou pra ver se seu protegido estava bem. Uma aura parecia brilhar em volta dos cabelos ruivos escuros. A lua parecia olhar diretamente para ela. Seus olhos verdes eram como esmeraldas perfeitamente redondas que lhe tragava para um mundo atemporal. O jovem sentiu um toque morno em sua mão e foi erguido pela mulher ali presente. A cigana acalmou o cavalo com sua melodiosa voz e então o conduziu para o grupo ali perto. Embora o jovem sentisse suas pernas fraquejarem ele sentiu um impulso a segui-la.
Lá estavam eles festejando em volta de uma grande fogueira. Havia risos e bebidas. Aconchego e pão. Engraçado como na sua maioria eram frutas, mas o desgosto por elas não atraiu a mente do rapaz. Todos ali exibiam porte de pessoas saudáveis, diferente do corpo magricela e pálido sob a luz do luar do visitante.
Cumprimentos aludiram à ruiva com uma onda que passa e que vem. Alegres em tê-la de volta fez com que uma música fogosa iniciasse. Sem pestanejar ela se preparou com alguns cascos na mão e começou a dançar.
A dança era envolvente. Silêncio entre os copos. Toda atenção ali voltada para as lindas esmeraldas reluzentes nas labaredas da fogueira. O quê seria aquilo? Um sonho talvez. Um sonho de uma noite de verão.
Um jovem rapaz desconhecia aqueles cantos. Jamais se desviou de uma trilha para acampar ao relento. Situação que não lhe agradaria em sua imaginação assoberbada de pensamentos urbanos. Que conforto poderia trazer uma noite longe de penachos de ganso bem armazenados dentro de um saco costurado e bem limpinho, pensou ele.
Mas, mesmo a vida de um cauteloso, era incerta. Ele foi tragado pelo acaso. Quem diria que lobos poderiam rodear aquela estrada? A manobra que seu cavalo usou para tentar encarar tais lobos o fez cair diante da matilha. Se não fosse uma habilidosa cigana com seu graveto em chamas, ele estaria entre os caninos dos lupinos. Tocha? Não. Foi realmente um graveto improvisado pra salvar a vida do viajante. Sentiu-se completamente indefeso. Era uma jovem que o salvara. Podia ver a luz das estrelas bruxuleando a silhueta de um corpo feminino. Sentiu-se envergonhado. Tinha a visão que as mulheres eram frágeis. Ser salvo por uma não ajudaria sua auto-estima.
Logo seus pensamentos lhe fugiram quando a jovem se aproximou dele. Ela se encurvou pra ver se seu protegido estava bem. Uma aura parecia brilhar em volta dos cabelos ruivos escuros. A lua parecia olhar diretamente para ela. Seus olhos verdes eram como esmeraldas perfeitamente redondas que lhe tragava para um mundo atemporal. O jovem sentiu um toque morno em sua mão e foi erguido pela mulher ali presente. A cigana acalmou o cavalo com sua melodiosa voz e então o conduziu para o grupo ali perto. Embora o jovem sentisse suas pernas fraquejarem ele sentiu um impulso a segui-la.
Lá estavam eles festejando em volta de uma grande fogueira. Havia risos e bebidas. Aconchego e pão. Engraçado como na sua maioria eram frutas, mas o desgosto por elas não atraiu a mente do rapaz. Todos ali exibiam porte de pessoas saudáveis, diferente do corpo magricela e pálido sob a luz do luar do visitante.
Cumprimentos aludiram à ruiva com uma onda que passa e que vem. Alegres em tê-la de volta fez com que uma música fogosa iniciasse. Sem pestanejar ela se preparou com alguns cascos na mão e começou a dançar.
A dança era envolvente. Silêncio entre os copos. Toda atenção ali voltada para as lindas esmeraldas reluzentes nas labaredas da fogueira. O quê seria aquilo? Um sonho talvez. Um sonho de uma noite de verão.
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